Agosto 14, 2008...1:45 am

“Divórcio de amor” – parte 4b

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“Querida,

Estou pedindo o divórcio. Não suporto mais o som excruciante de teu demorado banho, seguido pelo escovar de teus cabelos e pelo borrifar de teu melhor perfume. Tua camisola pudicamente branca me faz infeliz ao saber que deito todos os dias ao teu lado e durmo. Durmo, como o homem cansado que sou. Durmo, como o poeta em mim o faz.

Quero separar-me deste casamento frio que temos. Quero perder-me no impudico sabor de uma mulher e sem ter que me preocupar com nada, clamar alto por este fervor e lamber e morder e amar esta mulher abrasada! Quero acariciar e ser acariciado. Só.

Por isso quero o divórcio de ti. Quero divorciar-me desta união que nos separou e atar-me à mulher que realmente amo: você. Quero ser teu amante, vivenciando a cada noite nossa primeira – e última – noite; quero ser teu amigo, contando-te sem pudor meus anseios e desejos; quero ser teu, verdadeiramente teu, todos os dias. Divorciado das vicissitudes humanas e casado com o romance sincero do toque de nossos lábios.

Te amo.

P.S. O pianista era um amigo do trabalho, que sabe apenas tocar uma canção!”

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