De súbito, seu ombro foi tocado. Gritou instintivamente, virando-se e quase caindo. Seu corpo fora seguro pelos braços ainda fortes daquela belíssima imagem à sua frente: a de seu marido. Era o mesmo cabelo escasso cor de prata, em contraste com a pele mal-tratada pelo tempo, ambos exalando um aroma cítrico que lhe aguçava a memória. Era o mesmo perfume de quando se conheceram! Era como se 34 anos não houvessem passado e o passado fosse imortal naquele déjà vu libertino.
Aquela boca de tantas palavras sedutoras abriu-se, porém pôs-se muda. Aproximou-se lentamente de seu rosto, seu hálito acariciando delicadamente sua pele. Estacou a poucos centímetros do toque, fazendo tremer de desejo seus lábios úmidos. Com um suave movimento, a boca traquina abraçou seu lábio inferior. Tão já a língua de seu homem puxou a sua para bailar, primeira valsa daquela noite.