parte 2b ou parte 2k
Terminaram a canção. Ele a olhou intensamente, levantou-se do piano e pegou-a no colo. Assustou-se com o ato. Mas não disse nada. Rendida naqueles braços, contornava o rosto com o olhar dele. Os perfeitos 45 graus do nariz; os olhos sempre com aquele mesmo brilho de quando tinha 20 anos; as marcas que surgiram com os anos; e a cicatriz do lado direito da testa, que ganhou em uma briga na casa de shows por causa de um atrevido que tentou se engraçar com ela. Amava aquela cicatriz. Considerava aquela marca um registro de que, aquele homem, era dela, por mais que tivesse outras mulheres. Essas outras teriam aturar sua marca. E ele, toda vez que se olhasse no espelho, se lembraria dela. Sentia-se unida eternamente ao marido por aquele leve sulco na testa.
Chegaram ao quarto. Ele a deitou vagarosamente na cama, acariciou-lhe o rosto, aproximou-se lentamente de seu rosto, seu hálito acariciando delicadamente sua pele. Estacou a poucos centímetros do toque, fazendo tremer de desejo seus lábios úmidos. Lentamente se pôs de pé, começou a desabotoar lentamente os botões da camisa. Então, ela saiu da passividade e foi ajudá-lo a fazer aquela noite.
Amaram-se com todo o vigor da primeira vez e com toda experiência das que seguiram durante os mais de 30 anos de casamento. Durante toda a noite não trocaram qualquer palavra. Os gestos falavam por si, se entendiam pelo silêncio. Dormiram abraçados – ela encostada no peito dele, enquanto ele acariciava os seus cabelos.